Laffitte Advocacia Especializada
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    Inteligência Jurídica

    Recuperação Judicial no Agronegócio: Reorganização Financeira como Instrumento de Preservação da Cadeia Produtiva

    Foto de Isadora Mulati
    Foto de Nicole Damasceno

    Por Isadora Mulati e Nicole Damasceno

    Advogada e Advogada da Laffitte Advocacia Especializada

    A recuperação judicial de produtores rurais e empresas do agronegócio apresenta desafios específicos que a distinguem dos processos de reestruturação em outros setores da economia. A sazonalidade da receita, a dependência de fatores climáticos, a complexidade das cadeias de financiamento e a natureza perecível de determinados ativos exigem abordagem técnica diferenciada.

    "A recuperação judicial no agronegócio não protege apenas o produtor. Protege toda a engrenagem econômica que depende da continuidade da atividade rural."

    A Lei 14.112/2020 trouxe avanços significativos para a recuperação judicial do produtor rural, incluindo a possibilidade de o produtor pessoa física requerer recuperação judicial e a extensão do stay period para créditos garantidos por cessão fiduciária de direitos creditórios. Essas mudanças reconheceram a especificidade do setor e ampliaram o acesso ao mecanismo.

    No agronegócio, a viabilidade do plano de recuperação depende fundamentalmente da capacidade de manutenção do ciclo produtivo durante o processo.

    A elaboração do plano de recuperação para empresas do agronegócio exige projeções financeiras que considerem a ciclicidade da produção, a volatilidade de preços de commodities e a disponibilidade de crédito para financiamento de safras futuras. Planos que ignoram essas variáveis são, invariavelmente, inviáveis.

    A preservação das relações com fornecedores de insumos, agentes financeiros e tradings é elemento crítico do plano de recuperação no agronegócio. Sem essas relações, a continuidade produtiva é inviável.

    A experiência da Laffitte em recuperações judiciais no setor agrícola demonstra que o sucesso do processo depende de três fatores: diagnóstico financeiro especializado, negociação estruturada com credores-chave e construção de um plano que equilibre o pagamento dos passivos com a manutenção da capacidade produtiva. O objetivo não é apenas reorganizar dívidas — é preservar o ativo produtivo e a função econômica do empreendimento rural.

    No campo, a recuperação judicial é mais do que um instrumento jurídico. É uma ferramenta de preservação da cadeia produtiva e da segurança alimentar.

    Isadora Mulati e Nicole Damasceno

    Advogada e Advogada da Laffitte Advocacia Especializada

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