Laffitte Advocacia Especializada
    Reestruturação Empresarial

    Inteligência Jurídica

    Preservação de Valor como Dever de Administração em Cenários de Estresse Financeiro

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    Por Rodrigo Laffitte

    Sócio Fundador e Diretor Geral da Laffitte Advocacia Especializada

    A preservação de valor não é um conceito abstrato. Trata-se de um dever fiduciário do administrador, especialmente quando a empresa opera em ambiente de estresse financeiro. A omissão diante de sinais claros de deterioração pode configurar responsabilidade pessoal — e, sobretudo, comprometer de forma irreversível o patrimônio da organização.

    "O administrador que adia decisões em cenário de crise não está sendo prudente — está sendo negligente."

    Em contextos de pressão financeira, a tendência natural é postergar decisões difíceis: renegociação de dívidas, revisão de contratos, redimensionamento da operação. Essa postura, embora compreensível do ponto de vista humano, é juridicamente arriscada e empresarialmente destrutiva.

    A responsabilidade do administrador não se limita a evitar fraudes. Ela se estende à adoção de medidas razoáveis para proteger ativos, liquidez e continuidade.

    O ordenamento jurídico brasileiro oferece um conjunto robusto de ferramentas para a proteção do valor empresarial: desde a recuperação judicial e extrajudicial até mecanismos de reorganização societária e alienação estratégica de ativos. O que diferencia a atuação diligente da omissão culposa é a tempestividade com que essas ferramentas são acionadas.

    A constituição de comitês de crise, a contratação de assessoria jurídica e financeira especializada e a documentação formal das decisões são medidas que demonstram diligência e protegem o administrador.

    O conceito de business judgment rule — amplamente reconhecido em jurisdições internacionais e progressivamente adotado no Brasil — protege o administrador que toma decisões informadas, desinteressadas e de boa-fé. Contudo, essa proteção não alcança a inação. O administrador que se omite diante de cenário previsível de insolvência não pode invocar a regra do julgamento empresarial em sua defesa.

    A experiência demonstra que empresas que adotam medidas proativas de preservação de valor — mesmo que dolorosas no curto prazo — apresentam resultados significativamente superiores nos processos de reestruturação. A antecipação reduz o custo total da crise e amplia o leque de alternativas disponíveis.

    Preservar valor é, antes de tudo, uma decisão de gestão. E como toda decisão de gestão, ela exige informação, método e coragem institucional.

    Rodrigo Laffitte

    Sócio Fundador e Diretor Geral da Laffitte Advocacia Especializada

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