Inteligência Jurídica
Governança Corporativa em Empresas Familiares: Profissionalização sem Perda de Identidade

Por Nicole Damasceno
Sócia · Governança Empresarial
A empresa familiar brasileira é o motor da economia real — mas também é, estatisticamente, a mais vulnerável a crises de sucessão. Apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à segunda geração, e menos de 15% chegam à terceira. A causa principal não é incompetência: é ausência de governança.
"Governança não compete com a família. Ela organiza a família enquanto sócia, separando afeto de gestão."
O primeiro pilar é a formalização de um acordo de sócios que defina regras de entrada, saída, avaliação de participações, distribuição de lucros e critérios para ocupação de cargos de gestão. Sem esse instrumento, cada divergência familiar se transforma em crise societária.
O acordo de sócios não é documento de gaveta. É o código de convivência empresarial — e deve ser revisado a cada ciclo de maturação da empresa.
O segundo pilar é a criação de instâncias deliberativas: conselho de administração ou consultivo, reuniões formais de sócios com pauta e ata, e canais estruturados para decisões estratégicas. A informalidade é o maior risco de empresas familiares bem-sucedidas.
Profissionalizar a gestão não significa excluir a família. Significa definir critérios objetivos para que membros da família participem — com competência e legitimidade.
Governança bem implementada aumenta o valor da empresa, facilita o acesso a crédito e prepara a estrutura para operações de M&A e sucessão.
Nicole Damasceno
Sócia · Governança Empresarial
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