Inteligência Jurídica
Direito do Agronegócio: estruturação jurídica para proteger quem alimenta o país


Por Isadora Mulati e Rodrigo Laffitte
Advogada e Sócio Fundador da Laffitte Advocacia Especializada
O agronegócio brasileiro responde por aproximadamente um quarto do PIB nacional e sustenta a balança comercial do país com protagonismo global. No entanto, a sofisticação econômica do setor nem sempre é acompanhada por uma estruturação jurídica à altura dos riscos envolvidos.
"O produtor rural que não trata sua atividade como empresa está expondo patrimônio, operação e família a riscos que poderiam ser prevenidos."
A atividade agropecuária opera em um ambiente de alta complexidade regulatória: questões fundiárias, ambientais, tributárias, trabalhistas e contratuais se entrelaçam de forma singular. Uma safra envolve contratos de fornecimento de insumos, financiamentos rurais, arrendamentos, contratos de compra e venda antecipada e, frequentemente, operações de barter.
A formalização adequada dos contratos agrários é a primeira linha de defesa contra litígios que podem comprometer toda uma safra — ou gerações de trabalho.
A Cédula de Produto Rural (CPR), o financiamento via Plano Safra e as operações de crédito rural exigem atenção jurídica especializada. A inadimplência no agronegócio frequentemente decorre não de má-fé, mas de eventos climáticos, oscilações de mercado e descasamentos de fluxo de caixa — cenários que demandam instrumentos de renegociação e, em casos extremos, recuperação judicial adaptada à realidade do setor.
A Lei 14.112/2020 trouxe avanços significativos para a recuperação judicial de produtores rurais, permitindo a reestruturação de dívidas com preservação da atividade produtiva e manutenção do emprego no campo.
A sucessão patrimonial no agronegócio apresenta particularidades que a distinguem de outros setores. A indivisibilidade funcional da propriedade rural, o vínculo emocional com a terra e a necessidade de manter a escala produtiva tornam o planejamento sucessório não apenas recomendável, mas essencial para a continuidade do negócio.
Questões ambientais — como a conformidade com o Código Florestal, a regularização do CAR (Cadastro Ambiental Rural) e a gestão de passivos ambientais — são dimensões que impactam diretamente o acesso a crédito, a comercialização de produtos e a reputação do produtor no mercado internacional.
O agronegócio que se estrutura juridicamente não apenas se protege: amplia acesso a crédito, atrai investidores e constrói um legado que transcende gerações.
Isadora Mulati e Rodrigo Laffitte
Advogada e Sócio Fundador da Laffitte Advocacia Especializada
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